para não ver as estrelas de perto


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Rio de Janeiro estrada para Serra, 21 de abril de 2015

Eu sou uma apaixonada pela estrada. Ela nos desafia, nos surpreende, nos ensina e nos presenteia com encontros maravilhosos o tempo inteiro. A estrada é movimento e pausa, mas quem se lança nela é que nem carro em alto velocidade na rodovia livre, só avança. Foi nela que vi um casal com uma placa Nova Friburgo pedindo carona. Acolhi os mochileiros e logo começamos a conversar. Eles estavam vindo de Brasília e teriam os próximos 5 meses para chegar de carona até o nordeste. André rodou boa parte da América Latina de carona. No chile morou no deserto, isto é, fora de um camping. Tomava seu banho nos banheiros públicos de San Pedro de Atacama. O casal me contou muitas histórias dos caminhoneiros. Papo vai e vem, falei que estava trabalhando num DOC cujo tema era Cicatriz. André me perguntou sobre minhas cicatrizes e eu logo lhe mandei de volta a questão. André você tem uma Cicatriz? Ele começou a contar do acidente de carro que tinha sofrido dois anos atrás.


"Estava saindo de uma festa, bêbado, muito bêbado, para a chácara de minha tia. Dirijo desde os 14 anos, já tinha feito isso, mas fui muito mais inconsequente neste dia. Uma amiga estava indo comigo. Eu resolvi brincar de ver as estrelas ligando e desligando o farol do carro. Em alta velocidade, bêbado, na estrada. Eu liguei e desliguei o farol enquanto olhava para elas até que a estrada que era reta curvou e meu carro não acompanhou. Saí da estrada, bati num cupim e meu carro capotou 5 vezes. No final estávamos vivos, mas meu braço tinha fraturado em dois lugares. Eu via meu osso exposto, minha mão pendurada. Minha amiga estava bem, nem um arranhão. O cara do carro que vinha atrás me disse que eu tinha ultrapassado ele de uma maneira muito louca, eu nem lembrava. Foi ele quem me deu socorro e me levou para o hospital. Os médicos falavam que eu nunca voltaria a movimentar minha mão. Sim, eu perdi o movimento completo do braço esquerdo. Fiz fisioterapia e os movimentos voltaram, mas os braços são bem diferentes um do outro.


Eu gosto das minhas cicatrizes, elas são a marca de meu renascimento. Eu quase fui ver as estrelas de perto, mas não era a hora ainda. Fui inconsequente, não suicida. A vida me mandou uma mensagem de forma muito clara. Não dava mais para seguir do mesmo jeito. Ela me deu uma nova chance.


Um amigo me convidou para tatuar o braço inteiro e cobri-las. Morto não coagula, se eu tenho cicatrizes é por que estou vivo, foi minha resposta. Não tenho motivo para esconde-las, são a marca de meu renascimento".


Foi assim que ele me contou...

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GRATIDÃO ANDRÉ! QUANDO EU OLHAR PARA AS ESTRELAS ME LEMBRAREI SEMPRE DE CONTEMPLAR A BELEZURA QUE É VIVER.


BOA ANDANÇA!!!

#cicatriz #estrada #carona #andresebin #imprudência #mensagem #paranaoverasestrelasdeperto

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